Quem já apertou o ritmo em um treino ou prova provavelmente conhece a sensação. O coração dispara, a respiração fica mais pesada e, de repente, surge um gosto metálico estranho na boca.
Mas afinal, isso é normal? Tem algo de errado com o corpo?
A resposta é simples: é comum, é real e tem explicação fisiológica.
Não é imaginação: o corpo está reagindo ao esforço
Quando corremos em alta intensidade, o organismo entra em um modo de alerta. A frequência cardíaca sobe, a respiração acelera e o fluxo de sangue aumenta para levar mais oxigênio aos músculos.
Nesse cenário, alguns fenômenos acontecem quase ao mesmo tempo e juntos podem gerar essa sensação metálica.
Pequenos vazamentos, grande efeito
Um dos principais motivos está nos capilares dos pulmões. Em esforços muito intensos, esses vasos extremamente finos podem sofrer microestresses. Isso pode permitir a liberação de quantidades mínimas de sangue, imperceptíveis visualmente, mas suficientes para que o ferro presente na hemoglobina seja percebido pelo paladar.
Resultado? Um gosto metálico rápido e passageiro.
A respiração também entra na conta
Durante a corrida, respiramos mais pela boca. Esse padrão pode ressecar a mucosa oral, alterando temporariamente a percepção do gosto.
Além disso, o aumento da ventilação pode intensificar o contato do ar com partículas metálicas naturais presentes no ambiente, o que reforça a sensação.
Adrenalina, ferro e sentidos aguçados
Outro fator importante é a adrenalina, liberada em grande quantidade durante esforços intensos. Ela aumenta a sensibilidade dos sentidos, inclusive o paladar e o olfato.
Com isso, o corpo passa a perceber estímulos que normalmente passariam despercebidos em um treino leve.
É perigoso?
Na maioria dos casos, não. O gosto metálico durante corridas intensas é considerado uma resposta normal do organismo ao estresse físico elevado, especialmente em pessoas saudáveis e bem adaptadas ao exercício.
Mas vale lembrar que se a sensação vier acompanhada de falta de ar extrema, tontura, dor no peito ou persistir mesmo em atividades leves, o ideal é procurar avaliação médica.
Para finalizar…
Esse gosto costuma aparecer mais em treinos de alta intensidade, provas curtas e rápidas ou no momento final, exatamente quando o corpo está operando perto do limite. Em outras palavras, ele é quase um “sinal” de que você realmente puxou o ritmo.
Da próxima vez que isso acontecer, você já sabe. Não é mistério, é fisiologia em ação.
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Até logo!
Texto – Milena Campos
Direitos – Minhas Inscrições


