Ele ainda está bonito. O solado parece inteiro. Nenhum rasgo, nenhuma cola soltando. Mesmo assim o seu tênis de corrida pode já ter vencido.
Sim, tênis de corrida têm prazo de validade e ele não está estampado na caixa, nem é fácil de enxergar a olho nu. O grande vilão mora por dentro: a espuma da entressola, responsável pelo amortecimento, simplesmente “vence” com o tempo e o uso.
O amortecimento acaba antes da aparência
Quando você corre, cada passada gera um impacto várias vezes maior que o peso do seu corpo. Quem absorve boa parte disso é a entressola, aquela camada de espuma entre o pé e o chão.
O problema? Essa espuma não é eterna.
Mesmo que o tênis continue bonito por fora, a espuma interna vai se compactando, perdendo elasticidade e capacidade de absorver impacto.
O impacto que antes era amortecido começa a ir direto para joelhos, canelas e tornozelos.
Quanto tempo dura um tênis?
Em média, um tênis de corrida dura entre 500km e 800km. Em termos de tempo, isso costuma representar algo entre 6 a 9 meses de uso frequente.
Por isso, muitos corredores mais experientes fazem algo curioso: anotam a quilometragem do tênis, seja no relógio, no aplicativo ou até numa planilha. Quando o número chega perto do limite, já sabem que está na hora de pensar na aposentadoria.
“Mas o meu ainda parece novo…”
Esse é o erro mais comum. O tênis não avisa visualmente que venceu. Ele avisa no corpo.
Alguns sinais clássicos de que a validade acabou são:
- Perda de amortecimento: você sente mais impacto a cada passada;
- Desgaste da sola: áreas lisas ou irregulares, afetando a estabilidade;
- Dores novas: pés, joelhos ou tornozelos começam a reclamar sem aumento de treino;
- Espuma “assentada”: o tênis perde conforto e retorno de energia;
- Estrutura falhando: fios soltos, cola degradada ou sensação de instabilidade
Se o corpo começou a reclamar e o treino é o mesmo, o problema pode não ser você, pode ser o tênis.
Por que alguns tênis duram menos que outros?
A vida útil varia bastante e depende de alguns fatores:
- Peso do corredor: quanto maior o peso, maior a carga sobre a entressola;
- Tipo de pisada: pisadas muito pronadas ou supinadas desgastam o tênis de forma desigual;
- Terreno: asfalto abrasivo consome mais rápido que superfícies mais macias;
- Rotação de tênis: alternar entre 2 ou 3 pares ajuda a “descansar” a espuma e prolonga a durabilidade
No fim das contas…
Pense no tênis como um aliado silencioso. Ele trabalha duro a cada quilômetro para proteger o seu corpo até o dia em que não consegue mais.
A regra é simples, use a quilometragem como referência, mas confie principalmente nos sinais do seu corpo.
Quando o conforto acaba, a validade venceu, mesmo que o tênis ainda pareça novo.
Conheça o nosso calendário completo e aproveite:
Até logo!
Texto – Milena Campos
Direitos – Minhas Inscrições


