Quem já participou ou assistiu a uma corrida de rua com certeza reparou em uma cena um tanto curiosa: ao chegar ao posto de hidratação, muitos corredores pegam o copinho de água e jogam tudo na cabeça, na nuca ou até no corpo. Para quem está de fora, a pergunta é inevitável: não seria melhor beber essa água?
A resposta é: depende do momento da prova. Confira:
O corpo em alerta máximo contra o calor
Durante uma corrida, o corpo humano funciona como uma verdadeira usina de energia e, consequentemente, de calor. Quanto maior a intensidade do esforço, maior a temperatura corporal. Em provas realizadas sob sol forte, calor ou alta umidade, esse aumento acontece ainda mais rápido.
Beber água é fundamental para a hidratação interna, mas não promove um resfriamento imediato do corpo. Já jogar água na cabeça, no rosto ou na nuca ajuda a reduzir rapidamente a sensação de calor, graças à evaporação da água sobre a pele, um processo muito parecido com o suor natural.
É como se o corpo recebesse um “alívio térmico instantâneo”.
Cabeça e nuca: pontos estratégicos
Não é por acaso que a maioria dos corredores escolhe justamente a cabeça e a nuca. Essas regiões concentram muitos vasos sanguíneos e ficam próximas ao cérebro, responsável por regular a temperatura corporal.
Ao resfriar essas áreas, o corpo entende que está mais “seguro” termicamente.
O cérebro como limitador do desempenho
Quando a temperatura interna sobe demais, o cérebro entra em modo de proteção. Ele começa a enviar sinais de fadiga, cansaço extremo e até vontade de diminuir o ritmo ou parar. Não é falta de preparo, é autopreservação.
Ao jogar água na cabeça, o corredor engana momentaneamente esse sistema de alerta, reduzindo a sensação de esforço e conseguindo manter um ritmo mais forte por mais tempo. É uma estratégia simples, mas bastante eficaz, especialmente nos quilômetros finais da prova.
Beber ou jogar água? Muitos fazem os dois
Vale lembrar que jogar água não substitui a hidratação. Por isso, é comum ver corredores adotando o uso duplo do copinho. Ou seja, dão alguns goles para manter o corpo hidratado por dentro e usam o restante para se refrescar por fora.
Em dias quentes, essa combinação pode fazer toda a diferença no desempenho e no conforto durante a corrida.
Muito além de um hábito estranho
O que para alguns parece desperdício, para os corredores é uma estratégia bem conhecida. Jogar água na cabeça não é descuido, nem exagero, é uma forma inteligente de lidar com o calor, proteger o corpo e seguir em frente com mais eficiência.
Na próxima corrida, quando você ver alguém jogando água na nuca em vez de beber, já sabe: não é drama, é sobrevivência esportiva.
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Até mais!
Texto – Milena Campos
Direitos – Minhas Inscrições


