O mito dos 180 passos por minuto: existe uma cadência ideal?

Durante anos, corredores ouviram que o número “mágico” da corrida era 180 passos por minuto. A recomendação se espalhou tanto que muita gente passou a acreditar que essa seria a cadência perfeita para qualquer atleta.

Mas a realidade é bem diferente.

A ideia surgiu após observações feitas pelo treinador Jack Daniels durante os Jogos Olímpicos de 1984. Ele percebeu que muitos corredores de elite mantinham uma cadência próxima ou acima de 180 passos por minuto em ritmos de prova. O problema é que, com o tempo, essa observação virou uma regra universal, mesmo sem considerar fatores individuais.

O que é cadência?

Cadência é a quantidade de passos dados por minuto durante a corrida. Ela influencia diretamente a biomecânica, o tempo de contato com o solo e até a distribuição de impacto nas articulações.

De forma geral, uma cadência muito baixa pode indicar passadas longas demais, aumentando o impacto e a frenagem do movimento. Já uma cadência mais alta normalmente está ligada a passos mais curtos e rápidos.

Mas isso não significa que todo corredor precisa atingir 180 passos.

Cada corpo funciona de um jeito

Altura, comprimento das pernas, velocidade, força muscular e experiência influenciam diretamente a frequência natural da passada.

Corredores mais altos, por exemplo, costumam ter passadas maiores e podem correr de forma eficiente com cadências mais baixas. Já atletas menores normalmente apresentam frequências naturalmente mais altas.

Além disso, a velocidade muda tudo. Quanto mais rápido o atleta corre, maior tende a ser a cadência. Por isso, tentar manter 180 passos por minuto em um treino leve pode deixar a corrida artificial e desconfortável.

A cadência importa?

Sim, mas não como uma regra fixa.

A cadência pode ajudar a melhorar a eficiência e reduzir a sobrecarga quando o corredor exagera no tamanho da passada.

Nesses casos, pequenos ajustes costumam funcionar melhor do que mudanças radicais.

Estudos mostram que aumentos modestos, normalmente entre 5% e 10% da cadência habitual, já podem reduzir impacto em joelhos e quadris.

O perigo da obsessão pelos números

Com os relógios esportivos mostrando métricas em tempo real, muitos corredores passaram a perseguir os 180 passos por minuto como objetivo.

Só que forçar uma cadência artificialmente alta pode gerar tensão muscular, desconforto e até piorar a mecânica da corrida.

Especialistas em biomecânica reforçam que a eficiência depende de vários fatores, como força, postura, mobilidade e técnica, não apenas de um único número.

O que realmente importa?

A melhor cadência é aquela que permite correr com conforto, eficiência e menor sobrecarga possível para o próprio corpo.

Isso significa que dois corredores podem apresentar números completamente diferentes e, ainda assim, ambos estarem correndo bem.

No fim das contas, os 180 passos por minuto não passam de uma referência observada em atletas de elite e não de uma regra obrigatória para todos os corredores.

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Até a próxima!

Texto – Milena Campos

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